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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

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Quando é que se conhece realmente alguém?

 

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Quando é que podemos afirmar que conhecemos verdadeiramente alguém? Que somos capazes de antecipar reações, comportamentos, pensamentos e sentimentos? Há quem seja prudente e não arrisque dizer que conhece realmente alguém. Há no entanto, aqueles, videntes, que gratuitamente afirmam conhecer muito bem o marido, ou os filhos, os amigos e até mesmo os vizinhos. 

No meu caso, acho que a pessoa que melhor conheço é o meu marido. E não é por ser meu marido, é porque crescemos juntos e sempre fomos muito, muito amigos. Como a nossa caminhada juntos na vida já começou durante a adolescência e hoje em dia somos adultos formados, acredito realmente que foi a partilha constante de experiências, mas também de dúvidas, medos, sentimentos, pensamentos, expetativas, projetos,. que contribuiu para que hoje em dia ele me conheça melhor que ninguém e eu o conheça melhor que qualquer outra pessoa. Mas será que isto me faz acreditar que o conheço totalmente? Não, de todo. Eu sei que não o conheço por inteiro, porque também não me conheço a mim. Eu não acredito que posso conhecer alguém na sua plenitude, porque sei que as pessoas mudam. Eu mudo, todos mudamos. É verdade que não mudamos drasticamente no que nos caracteriza, mas o ser humano é flexivel e adaptável, logo ajusta-se a diferentes situações e circunstâncias, pelo que é muito difícil acreditar que se conhece realmente alguém e antecipar as suas reações em diferentes situações. 

Nos últimos anos tenho desenvolvido uma teoria sobre este tema, muito por fruto da minha experiência de trabalho. Cada vez mais acredito que só se conhece realmente outra pessoa no divórcio. Assustador? Um pouco. Na realidade, o meu contacto com casais divorciados tem aumentado (fruto da realidade social que vivemos), tal como o meu contacto com crianças filhas de pais divorciados. Esta experiência tem-me revelado que há muito boas pessoas, pessoas realmente amigas do próximo, dos filhos e que se preocupam com o bem-estar dos outros acima do seu. Já vi pais a abdicarem da casa, do carro, de boas poupanças em prol do outro, para que os filhos não fiquem prejudicados. Já vi pais a partilhar a casa, as férias, os jantares, os banhos, para que os filhos possam usufruir de ambos no dia-a-dia. Mas também ja vi o outro lado. O pior lado possível. Aquele que ninguém imaginava. Já vi pais a transformarem-se, a não serem capazes de segurar o ego ferido e a revelarem-se. A revelarem o que de pior há neles. E aqui falo de pessoas que perseguem, que batem, que insultam, que assediam, que ameaçam, que chantageiam, que envergonham, que humilham, que maltratam,.. o outro, só e apenas porque têm o orgulho ferido, porque não aceitam quee a outra pessoa já não os quer mais, porque não aceitam ser excluidos ou rejeitados. Mas o pior, realmente o que é pior, é o que fazem aos filhos por causa deste amor próprio. Afastar as crianças do outro progenitor, levá-lo para longe, proibir contactos com a família, chantagear, torturar, falar mal, humilhar, proibir de ter uma rotina normal, afastar dos colegas, da escola, não deixar estudar, bater, insultar,.. é terrível. Por muito que viva, nunca me hei-de habituar a tanta atrocidade junta. Cada vez mais acredito que é no divórcio que se conhece realmente alguém, para o bem e para o mau.