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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

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Fifty shades of grey

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Parece que se instalou uma grande polémica nas redes sociais sobre o filme Fifty shades of grey. Na verdade muitas pessoas não viram o filme e outras nem sequer leram o livro, mas parece que fica bem marcar uma posição sobre o assunto. E por aquilo que tenho lido parece que há uma certa tendência para desvalorizar tanto o livro como filme, assim como por fazer parecer quem o leu e o viu como alguém sem grande cultura. 

Eu ainda não vi o filme e não sei se vou ver. Por um simples motivo. Nunca gostei de ver um filme que se tenha baseado num livro que eu tenha lido anteriormente à visualização do filme. Acho que é normal. O livro tem o dom de nos permitir criar cenários e dar asas à imaginação. Mesmo os livros mais descritivos, pela ausência de imagem permitem que seja o leitor a definir o cenário e as sensações associadas à história. Geralmente, quando o livro passa a filme ganha forma e muitas vezes não se coaduna com a expectativa do leitor. Por esse motivo acabo sempre por ficar desiludida quando vejo um filme cuja história já li anteriormente e por isso não sei se vou ver este filme em particular. 

Quanto ao livro, ou melhor, livros. Comprei-os e li-os todos. Confesso que com diferente entusiasmo. Gostei do primeiro, menos do segundo e muito menos do terceiro. E então, porque é que li? Porque sou curiosa, porque gosto de levar as coisas até ao fim, detesto deixar algo a meio e porque tenho sempre a esperança que a história melhore. Aconteceu? Em algumas passagens, mas de modo geral não. E o que achei dos livros? Confesso que desde o primeiro capítulo que senti que se tratava de literatura "barata", algo para entreter, de fácil acesso e compreensão ao comum dos mortais. A linguagem é muito básica, as passagens cruas e pouco elaboradas, as palavras repetem-se intensamente como se faltassem sinónimos à autora. Claramente, não é boa literatura. Mas é um bom entretenimento e isso também faz falta. Quando leio não gosto apenas de me dedicar a livros complexos que demoram muitas horas a ler e a decifrar ou onde adquiro factos históricos, culturais, políticos e geográficos. De vez em quando também gosto que leitura barata, fácil e agradável. E estes livros são agradáveis, especialmente pela dimensão sexual. A Ana é um pouco sonsa e choninhas. O Grey é o protótipo do homem de sucesso, frio e calculista. De modo geral, as personagens não são ricas nem fantásticas. Mas a autora conseguiu com a sua história desenvolver no leitor a curiosidade e a expectativa pelo que virá a seguir. As cenas de sexo chegaram a um ponto em que me desinteressavam e até as passava à frente. Mas a curiosidade manteve-me na leitura. Queria saber o que ia acontecer a seguir e como a história iria desenrolar-se, imaginava o que poderia vir a seguir. Acho que nisto a autora foi feliz e está de parabéns. Conseguiu certamente muito mais do que muitos ditos "autores" e muito mais do que aqueles que a criticam. Eu já não voltaria a ler um quarto livro, porque já fechei a história na minha cabeça, da mesma forma que já não voltaria a ler mais um livro do Harry Potter, mas enquanto li gostei, relaxei e recomendei.