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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

Trivial e Singular

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A desejada mudança e o inevitável medo da mudança

Todos os dias conheço e convivo com pessoas que têm dificuldades. Todos temos, não é uma grande novidade. A questão é que as pessoas com quem eu lido querem claramente mudar e procuram ajuda para o conseguir. Aliás, quem não quer? Quem nunca pensou "tenho de ser mais determinado", "tenho de ser mais ativo", "tenho de me meter menos na vida dos outros", "gostava de perder peso", "gostava de ser mais respeitada". Penso que muitas pessoas passam muito tempo a desejar ser o que não são e a culpabilizar-se por aquilo que são. Se por um lado há quem acredite que não é possível mudar, que as pessoas são o que são e por muito que tentem não conseguem mudar, eu acredito que é possível mudar. Ou então, todo o meu trabalho não faria sentido. Acho que não se muda facilmente características de personalidade, mas sei que se podem mudar padrões. Padrões de comportamento, de pensamento e de funcionamento. Parece-me que poucas vezes as pessoas estão conscientes disto, de que a mudança passa pelo padrão e não pela personalidade. Dizem muitas vezes "eu sou assim", como se fosse uma inevitabilidade, uma sina. Eu acredito que o que fazem, como fazem e como pensam, as torna assim. Eu acredito que ao mudar o que se faz e como se faz, se pode mudar as dificuldades,.. a ansiedade, o medo, a apatia, a preguiça, a desorganização,.. entre outras dificuldades. Porém, aquilo que verifico é que as pessoas (todos nós), apesar de quererem mudar, não querem mudar. Confuso? Geralmente, as dificuldades que temos estão alicerçadas em padrões de funcionamento que apesar de resultarem em défices ou sofrimento, alimentam também um conjunto de competências que estão associadas a algum sucesso ou alguma segurança. Por exemplo, um aluno que é muito ansioso face às avaliações e que por isso acaba por ver o seu desempenho penalizado, quer mudar, mas tem dificuldade em preocupar-se menos com os testes, porque acha que se deixar de se preocupar vai desleixar-se e vai tirar maus resultados, Por isso, acaba por manter o padrão apesar do sofrimento e do menor resultado que obtém. Este é um pequeno e simples exemplo que penso que permite a todos compreender e ajudar a refletir sobre o porquê de mantermos determinados comportamentos. Outro exemplo, alguém que quer perder peso, sabe que tem de comer menos ou melhor, mas encontra na comida conforto emocional e um prazer imediato. 

Esta luta, este conflito interno que gera tanto sofrimento dificulta a mudança e mantém a disfuncionalidade. Mudar é desejado, mas também é assustador. Todos queremos mudar para melhor, mas tememos não conseguir e perder a segurança que os nossos comportamentos nos dão. Mudar implica sair da zona de conforto e arriscar. Implica não saber o que vai acontecer a seguir. Mas quando o conseguimos fazer, quando conseguimos por em prática mudanças em pequenos comportamentos que alimentam as dificuldades conseguimos perceber como é bom caminhar no sentido pretendido. Conseguimos ter força para continuar e passo após passo a mudança vai se conquistando e solidificando, reforçando o trabalho, o empenho e valorizando a ideia inicial de que esse era o caminho a seguir. 

Gostava muito que todos aqueles que sofrem com alguma dificuldade, parassem, refletissem e tentassem implementar pequenas mudanças, com a segurança de que o desconforto da mudança é inicialmente mais desconfortável que a manutenção dos problemas, mas que esse é o caminho a seguir.