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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

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Visitas à maternidade - a favor ou contra?

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Recentemente cruzei-me com este post no facebook, que me trouxe à memória um tema sobre o qual gostava de falar aqui - as visitas à maternidade. 

Antes do meu filho nascer eu tinha uma ideia muito própria (e polémica para alguns) sobre este assunto, apesar de nunca ter lido nada sobre o tema. Confesso que nunca procurei informação e quando falo sobre o tema não encontro muitas pessoas a concordar comigo. No entanto, cada um tem as suas ideias. Em relação a este tema, e apesar de já ter vivido o nascimento de um filho, mantenho a minha convicção inicial. 

Uns meses antes do meu baby nascer, eu comecei a passar a ideia aos familiares mais próximos de que não queria muitas visitas ao hospital, especialmente no primeiro dia. A reação foi de choque, ninguém concordava muito comigo e uma das avós ainda dizia que não fazia qualquer sentido o bebé nascer e só o conhecer no dia seguinte. Pelo funcionamento da família, eu sabia que seria muito dificil proibir as visitas totalmente, não porque eles não cumprissem, mas porque iria "comprar" uma guerra. Apesar de eu centrar a justificação em mim e no baby, as pessoas têm dificuldade em se descentrar dos próprios sentimentos e interesses, pelo que há sempre a percepção de que se está a fazer algo contra alguém. Decidi não comprar esta guerra, até porque não sabia ao certo como me iria sentir depois do parto, mas mantive sempre o discurso de que queria o mínimo de pessoas e o mínimo de tempo. Poderiam conhecer o neto/sobrinho, mas com brevidade. Têm o resto da vida para o ver. Cheguei a desejar que o bebé nascesse à noite para que só houvesse visitas no dia seguinte. Acabou por nascer às 10h da manhã. Às 14h da tarde os meus pais estavam a entrar no meu quarto e não ficaram mais de 1h. Seguiram-se as tias, que também foram cumpridoras. Os sogros chegaram mais tarde (o que me fez sentir em stand-by durante a tarde) e, porque o meu marido foi com o pai a casa, a minha sogra ficou umas 2horas lá no hospital comigo e com o baby. O primeiro dia não correu como eu queria, mas foi muito melhor do que poderia imaginar. Estivemos a manhã toda só os 3 e a partir das 18h também. Nos dois dias que se seguiram, as visitas foram só dos avós e também rápidas. Já em casa, a minha mãe esteve muito tempo presente para me dar apoio. Só ao fim de duas semanas é que as visitas mais a sério começaram, especialmente dos amigos, e confesso que nesta fase eu já estava com muita vontade de mostrar o meu baby ao mundo. 

E porquê tudo isto? Porque motivo é que eu queria visitas limitadas? 

Eu tive a sorte de, apesar de estar num hospital público, ter estado num quarto privado, só com o meu marido. Quando a minha mãe me contava que no meu nascimento teve de dividir o quarto com mais 4 mães, sentia-me sempre muito incomodada. Acho que é um momento muito novo, íntimo e especial para ser partilhado com desconhecidos. Mas acima de tudo, acho que é um momento muito exigente para a mãe e para o bebé. Sempre acreditei que depois de a mãe passar pelo parto, deve sentir que "passou um camião TIR por cima dela". Eu não me senti exatamente assim, mas estava com muitas dores, desconfortável e com muitas dificuldades em movimentar-me. Ora, depois de um "atropelamento" acho que há a necessidade de descanso físico e mental, o que não é possível com entradas e saídas, barulho, perguntas e comentários. Mas mais importante ainda é o bebé. O bebé vive nove meses protegido do mundo e de repente tem de sair (o meu saiu contrariado). Pela primeira vez sente frio, fome, calor, tem de gerir a luz, o som, a fralda, a roupa, a touca,... tanta gente a olhá-lo e a tocá-lo, a falar mesmo em cima dele, os espirros, a tosse,.. sempre que imagino um nascimento, imagino um bebé a sair de dentro da mãe, a sentir-se assustado e protegido. Acho que devia haver um tempo só para bebé e a mãe (e também com o pai) para ele se adaptar ao novo mundo e para que so pais se habituem ao bebé. Acho que esta é uma parte muito importante. Eu não conheço um filho quando ele nasce, eu quero observá-lo, decorá-lo, amá-lo e acho que isso deve acontecer num tempo só para a família nuclear. Acho que é um espaço que faz falta e é necessário para que a mãe se sinta confiante, para que sinta que consegue gerir as necessidades do seu filho e acima de tudo, para que este possa reconhecer o cheiro da sua mãe, a reconheça como a sua segurança e possa sentir-se confiante e calmo neste novo mundo. Por tudo isto acho mesmo que as visitas no primeiro dia são dispensáveis, apesar de muito desejadas pela família, e num próximo nascimento pretendo fazer o mesmo. Proteger o meu baby e tê-lo só para mim (e para o maridão). 

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