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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

Trivial e Singular

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Saudades dos prazeres de infância

Recentemente aproveitei uma promoção de 4 bollycaos a 1,29€. Pareceu-me um óptimo preço por uma satisfação a quatriplicar. Quando vi o bollycao recordei o quanto gostava de o comer quando era criança. Era uma raridade. A minha mãe nunca mo comprava e quando acontecia era mesmo em dias especiais. Comia mais frequentemente na casa de uma tia minha, mas também era raro. Talvez por isso o bollycao tinha um sabor especial. O bolo era doce e fofo, muito fofo. Derretia-se na boca. O chocolate, ai o chocolate era maravilhoso. Recordo-me de ter uma técnica para o comer. Começava pelo bolo, comia-o todo em primeiro lugar e deixava a parte do chocolate para o fim, que comia devagar, com muito apreço como se de algo extraordinário se tratasse. Para mim, naquela altura era extraordinário. Não tinha dinheiro, não o podia comprar. Por isso o momento do bollycao era especial e tinha de ser bem aproveitado. Imaginei que ao comprar estes bollycaos a experiência se fosse repetir. Desejei que assim o fosse, mas receava que fosse diferente, porque sei que o poder de compra, o acesso diário às guloseimas diminui a importância que lhes damos, torna o nosso palato habituado a estes sabores e o prazer que provocam diminui. Passei anos sem comer um bollycao, sem me recordar sequer da sua existêncoia. Nem sequer sei se passa publicidade na televisão deste doce. Quando comi o bollycao senti uma enorme desilusão. Senti que era uma fraude. que este doce lanche tinha sido falsificado. O bolo era duro e seco, não se desfazia na boca. O chocolate era fraco, com um sabor até desagradável, nada escorregadio ou saboroso. Fiquei triste, desiludida. Claramente, já poucas coisas são como antigamente.