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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

O porquê desde blog

O meu marido tem sido um leitor assíduo dos meus caracteres. lê, mas não comenta. Optou por esta posição para não me inibir ou me fazer sentir constrangida com os seus comentários. Por isso lê-me atentamente e em silêncio. No entanto, tem se intrigado sobre o motivo pelo qual eu decidi fazer este blog. As razões, já as tinha referido aqui. Porém, ao ser confrontada com esta questão não pude deixar de refletir mais profundamente no assunto. A verdade é que quando escrevo, escrevo essencialmente para mim. Para o meu futuro. Eu sei o que acontece no meu dia-a-dia, o que penso sobre determinados assuntos, os sonhos que tenho e como lido com as minhas frustrações,.. mas a verdade é que tudo isto muda.. os sonhos, as frustrações, as opiniões, as certezas e a vida em geral. Pela minha experiência de adolescente com diário em riste, eu sei que a memória nos atraoiçoa, eu sei que o modo como recordamos o passado é influenciado pelo presente e que não existem memórias "limpas". Por isso mesmo faz todo o sentido escrever para mim, escrever para mais tarde ler a vida que tinha e recordar a pessoa que já fui. 

 

Atualmente, o meu marido é a única pessoa que tem conhecimento deste blog. Nunca o publicitei, nem associei à minha pessoa, nunca falei dele na vida real ou na blogosfera. Sou uma anónima e este blog também, o que é bom porque me permite ser mais livre. Escrever o que realmente penso, da forma que me apetece. Quem por aqui já passou ou me visita não faz ideia de quem sou e pouco sabe sobre a minha vida. No entanto, no futuro eu gostava que o meu filho me pudesse conhecer como eu sou agora. Quando o meu filho tiver idade para ler e compreender o que aqui foi escrito já eu terei pelo menos 40 anos. Serei certamente diferente em muitos aspetos. Ele terá já uma ideia de mim enquanto mãe e conhecer-me-à pouco enquanto pessoa. Esse conhecimento só surgirá quando ele for mais velho. quando for capaz de diferenciar a mãe da mulher e nesse momento já eu serei muito diferente do que sou agora. Outra vida, outra pessoa. Eu escrevo para ele. Eu quero que o meu filho me conheça jovem, com sonhos, com alegria e motivada. Quero que ele encontre uma pessoa com quem se poderá identificar quando estiver na casa dos 20/30 anos. Quero que perceba que também eu já fui jovem. Que tive ideia parvas, fiz asneiras, disse disparates e saí da linha. Quero também que sinta o quanto eu o amei desde sempre, desde que foi desejado. Quero que ele me conheça como eu nunca conheci os meus pais, porque nunca percebi as pessoas que eles eram quando eram jovens. Hoje em dia eu sei diferenciar os meus pais das pessoas que são, mas não os conheci jovens. Não lhes conheci as dificuldades, os sucessos, os desafios, os pensamentos,.. e lamento muito por isso. Só posso imaginar quem foram, como terão sido, as vidas que terão vivido. Gostava muito de ter estado mais atenta às pessoas que eram quando eu era mais nova.