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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

Trivial e Singular

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É tão bom andar de carro

Depois de 3 semanas enclausurada em casa, resolvi sair à rua com o meu baby para apanhar um pouco de ar fresco e solinho. Claro que isto só foi possível num dos poucos dias sem chuva. Sim, porque no último mês parece que vivemos permanentemente em pleno dilúvio. 

 

Eis que aquilo que eu julgava que seria um passeio muito agradável se tornou numa aventura pelas ruas da cidade. Agasalhei o baby, preparei o carrinho e lá fomos nós cheios de vontade.. até que foram surgindo os obstáculos. 

Logo à saída do prédio de nossa casa reparei que não existe uma rampa de acesso e o passeio até é bem alto. Como é possível nunca me ter apercebido disso? E como é possível que num prédio com cerca de 40 habitações não exista uma rampa de acesso? Não faz sentido. Depois de descermos e chegados à estrada foi preciso voltar a subir os passeios para evitar os carros. Mais uma vez, onde estão as rampas? Não há. E os passeios? O pavimento que outrora eu achava bastante agradável para passear ou correr revelou-se uma porcaria para conduzir um carrinho de bebé. Ora se encontram passeios com rampas de acesso, mas sem rampas de saída ou vice-versa, ora se revelam esburacados, enlameados ou com inclinações oscilantes que obrigam a autênticas acrobacias com o mobile. E quando o pavimento até é satisfatório e se pensa que se vai conseguir olhar em redor e não apenas para o chão, eis que surge plantado no meio do passeio uma paragem de autocarro ou algum simpático e conveniente outdoor, obrigando a procurar um espacinho por trás ou pela frente que permita a passagem do carrinho. Ora se quando estou só até consigo, com um carrinho isso já não é possível e toca mais uma vez a descer (sem rampa), para depois voltar a subir (novamente sem rampa). 

Conclusão, um trajeto de aproximadamente 1Km deve ter demorado perto de uma hora. E o desgaste dos amortecedores? E o estado das costas do meu baby? Acho que poderá mesmo fazer sentido escrever uma reclamação à Câmara Municipal e pedir uma indemnização. É de pensar. 

 

No meu caso, a situação é passageira, mais mês menos mês o bebé vai crescer e o carrinho vai ser substituído pelas suas perninhas. No entanto, em momento algum deixei de pensar nas barreiras que alguém com dificuldades de locomoção vive diariamente. Não basta as limitações inerentes à condição física, não basta ter de lidar com o preconceito e os olhares dos outros, como ainda têm de diariamente e a toda a hora lutar contra passeios e frequentar vias que estão claramente construídas a pensar exclusivamente nos condutores e nos seus veículos, esquecendo e ignorando os cidadãos. Mas afinal, quem são os condutores?