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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

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Como lidar com os refugiados?

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A semana passada cruzei-me com esta imagem num blog e não consegui deixar de pensar como retrata bem o modo como a Europa está a gerir a situação dos refugiados. Confesso que não tenho acompanhado de perto as notícias e não tenho pesquisado muito sobre o assunto. Não conheço as políticas que estão a ser implementadas, nem sei ao certo quais os países que estão focados em gerir este assunto e quais os que se querem demitir. Concordo que seria muito mais fácil se estes refugiados não procurassem abrigo na Europa, se ficassem no seu país ou quanto muito no seu continente, "porque longe da vista, longe do coração". É muito mais fácil não nos envolvermos ou opinarmos sobre uma situação com a qual não lidamos. Mas por incrível que pareça, os Sírios tiveram a audácia de querer fugir da guerra e da miséria. Alguns foram fugindo para os países vizinhos, mas houve quem quisesse uma vida melhor, com mais oportunidades e melhores condições de vida e arriscaram atravessar o mar e navegar até à Europa. A Europa, que é só um continente com ótimas condições de vida e com elevado nível de desenvolvimento. Como é que os refugiados se foram logo lembrar da Europa? É uma pena. É que assim, os altos governantes, políticos e as instituições viram-se com um grande problema em mãos. O que fazer com esta gente que luta pela sobrevivência? Para bem da Europa já muitos perderam a vida no mar, mas alguns mais sortudos, ou fruto de um processo de seleção natural, conseguiram chegar à Europa e não parecem ficar assustados com muros de arame farpado. Pudera, venceram o mar, não vencem um muro? Que estupidez!! Claro que vencem, irão certamente vencer todas as barreiras que lhes sejam colocadas, sejam elas quais forem. Trata-se de sobrevivência, da luta pelas necessidades mais básicas do ser humano. Acredito que poucas pessoas que possam ler estas minhas palavras terão alguma vez vivido uma situação semelhante. Eu não vivi. Eu não sei o que é estar no lugar deles, sofrer o que eles estão a sofrer. Não consigo imaginar, nem quero. Quando vejo algumas imagens na televisão, só consigo imaginar-me com o meu filho nos braços a fugir da possibilidade de morrer ao virar da esquina e a tentar procurar uma vida melhor passando para tal, pela fome, frio e cansaço extremo. Não imagino o que é andar dias e dias, sem a perspetiva de chegar ao seu lar, ao conforto de um lugar conhecido, sem sentir segurança e confiança nos locais, nas pessoas e no futuro. Não consigo sequer colocar-me no lugar deles. De imediato me sinto a tremer, assustada e fico de lágrimas nos olhos. Por isso, também me sinto revoltada quando vejo tanta gente à minha volta a queixar-se pelo facto de os refugiados poderem vir para Portugal, por haver algumas Câmaras Municipais que vão fornecer casas, por virem receber apoios sociais, cuidados de saúde e educação. Compreendo que muitas pessoas, especialmente os mais velhos, se sintam revoltadas com o país por não estarem a viver a vida que esperavam, por as políticas sociais se terem alterado, por terem cortes nas reformas e subsídios, mas não compreendo que não sejam capazes de sair do seu próprio umbigo e não compreendam que estas pessoas não querem o que é nosso, querem o que é delas e a aquilo a que todos temos direito – uma vida. Espero que alguns deles venham para Portugal e que estejam entre nós. Que nos deem a conhecer a realidade deles, as suas culturas, ideais e ideias e que nos ajudem a crescer, a ser mais abertos, mais receptivos e menos mesquinhas.