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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

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Ansiedade - a doença mental mais prevalente

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Ora aqui está uma notícia que para mim não é novidade, mas que é alarmante. "A ansiedade é a doença mental mais prevalente em Portugal". Já há anos que desconfiava deste cenário, apesar de haver muito mais ênfase, por parte da comunicação social, na depressão do que na ansiedade. Agora, a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental confirma que esta doença mental afeta 16,5‰ da população portuguesa. Para além disto ser grave, a incidência é maior nos jovens com idades entre os 18 e os 34 anos.

 

Muitas pessoas poderão não surpreender-se com estes dados e até dizer "eu também sofro de ansiedade", "toda a gente sofre de ansiedade" e a verdade é que muitas pessoas sentem com frequência sintomas típicos da ansiedade, no entanto, estes nem sempre são suficientes para realizar um diagnóstico de Perturbação de Ansiedade. Este diagnóstico obedece a um conjunto de critérios, num dado período de tempo e com um impacto significativo nas diferentes áreas de vida da pessoa. É este conjunto de critérios que permite diferenciar a “simples” ansiedade e nervosismo, que muitos sentem, da doença que pode ser incapacitante. Sim. É assustador, mas é verdade. Há pessoas que vêem a sua vida completamente condicionada por perturbações deste espectro, seja socialmente, como academicamente ou profissionalmente e até do ponto de vista familiar e social. Nestas perturbações existe de forma constante um elevado sofrimento, angústia, tensão e apreensão. A perturbação não dá espaço para a descontração, o relaxe e a espontaneidade.  O medo, a antecipação e o “e se..” condenam cada pensamento e tentativa de mudar, de arriscar e quebrar o ciclo vicioso que se instala na vida das pessoas.

 

Na minha perspetiva o facto de esta perturbação incidir mais numa camada jovem tem um impacto enorme no desenvolvimento e no percurso de vida. Os 20 anos são fundamentais na construção da personalidade e nas opções de carreira e de vida. São os anos de formação superior, de iniciação profissional, de desenvolvimento de relacionamentos íntimos, de experienciação de novos papéis, de independência financeira, de autonomização dos pais,.. e de exploração. Como facilmente se compreende todas estas etapas já são em si difíceis, são desafios e provações para muitos jovens. Obrigam a escolhas difíceis com consequências que podem condicionar todo o percurso de vida. É fundamental estar saudável para viver e viver bem. A doença mental, apesar de ser tão incapacitante como a doença física, infelizmente não é assim entendida e é ainda muito negligenciada. As pessoas ainda se sentem envergonhadas por terem um diagnóstico de ansiedade ou depressão e ouvem comentários como “anima-te, isso passa” ou “isso é falta do que fazer, ocupa-te”. Infelizmente, estas perturbações não são tão simples de resolver quanto se poderá pensar frequentemente e exigem acompanhamento psicoterapêutico e/ou psiquiátrico, pelo que quem se identificar com este diagnóstico não deverá hesitar em pedir ajuda. Estar doente não deve ser sinónimo de vergonha.