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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

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A ecologia paga-se?

A medida do Estado de taxar os sacos plásticos que eram oferecidos pelos hipermercados e outros estabelecimentos comerciais está a levantar alguma polémica. Uns são contra, outros a favor, outros acham o valor elevado, e tal e tal. Pela minha parte tenho a dizer que os saquitos me davam muito jeito para separar o lixo lá em casa. Como é óbvio, apesar de os sacos agora serem pagos, eu vou continuar a usá-los para esse fim. Já comprava sacos de plásticos próprios para o lixo e agora terei de fazê-lo ainda mais vezes. E é justamente isto que me surpreende. Os sacos de plástico continuam a existir. Continua a ser possível comprá-los e usá-los de forma completamente irresponsável. Se há os poupados, que gerem bem os sacos, há os despreocupados que a qualquer hora usam um novo saco. Pelo que percebi, através dos noticiários, a medida do Governo insere-se no âmbito da Fiscalidade Verde e pretende contribuir para fomentar comportamentos mais ecológicos. A par disto, espera embolsar 40milhões de € só em 2015. Qual é a conclusão? Para mim, é simples. O Estado está interessado em angariar mais receitas fiscais e inventou uma medida que fica bem e que é dificil de contrariar, justamente porque está alçada no pressuposto da Ecologia. No entanto, se o Governo quisesse mesmo implementar medidas de Ecologia não deveria acabar com os sacos de plástico? Não deveria financiar o desenvolvimento e a implementação de sacos feitos com outros materiais? Afinal, o meu comportamento pouco ecológico já não fica mal porque pago um balúrdio por cada saco - 0,10€? Isto para mim não faz sentido nenhum. Vejo esta medida exclusivamente como uma forma de interesse financeiro. Não vejo iniciativas no sentido de mudar mentalidades, adotar comportamentos de maior responsabilidade cívica e ecológica. E por isso chateia-me pagar 0,10€ por um simples saco, especialmente, porque vou ser muitas vezes obrigada a fazê-lo. Eu também tenho aqueles sacos gigantes reutilizáveis e os sacos de pano, mas não acho nada higiénico meter tudo lá para dentro e misturar cheiros e produtos. Para mim, a carne fica num saco único, o peixe também, o mesmo acontece com os produtos de limpeza e os de higiéne, assim como com os laticínios. Quantas vezes chegamos a casa com os sacos que tocaram no peixe ou na carne a tresandar? Ou quantas vezes, aquele detergente para o chão estava mal fechado e se entornou todo no saco? Pois é, aquilo que percebo é que enquanto não for desenvolvida ou implementada uma boa alternativa ao saco de plástico todos nós vamos continuar a usá-lo. A diferença é que agora vamos pagar por todos os sacos. Isto já acontecia na maior parte dos sitios, mas porque é que tem de ser em todo o lado? Será que os sacos já não são pagos pelo hipermercado ao seu fornecedor? Ah, claro que são. Mas são muito baratos, rendem pouco ao Estado. Agora vão render mais e os hipermercados vão poupar ainda mais. Que maravilha, quem se lixa são sempre os mesmos. O povinho.