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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

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Maternidade - A decisão

Ter filhos sempre foi algo que eu considerei que aconteceria na minha vida. Desde criança que achei que seria "normal", numa idade em que já trabalhasse e fosse independente financeiramente, casar e mais tarde constituir familia. Há medida que os anos foram passando esta ideia manteve-se, mas fui percebendo que seria cada vez mais tarde do que aquilo que poderia ter imaginado aos 15 ou aos 20 anos. Aos 26 anos casei (e estou muito bem casada!) e após alguns meses passou a ser frequente os amigos e a familia perguntarem: "e filhos? para quando?". Na verdade, os filhos sempre estiveram nos nossos planos, mas há medida que os meses de casamento iam passando não fomos sentindo que faltasse algo na nossa relação. Para ser sincera, tanto eu como o meu marido gostamos tanto da nossa vida a dois.. sem grandes rotinas, regras ou horários a cumprir, que naturalmente a ideia dos filhos foi sendo adiada. No entanto, chegou o dia em que tivemos de nos confrontar com o assunto mais a sério e tomar a decisão de "para quando os filhos?", porque decidir tê-los ou não, nunca foi uma questão. 

 

Dizem que as mulheres sentem uma espécie de apelo biológico, eu nunca senti. É verdade que sempre gostei de muito de bebés e crianças (e eles de mim), mas não sou daquelas que vai para a cama a sonhar com bebés ou a achar que sente um grande vazio só porque ainda não tem um pirralho a correr lá por casa e a mexer em tudo que abre e fecha. Na verdade, sinto-me bem sem filhos e como temos amigos com crianças é fácil "matar as saudades" destes seres que nos fazem rir estupidamente. No entanto, com os meus 30 anos e os 32 do meu marido a caminho, naturalmente que fomos sendo obrigados a tomar uma decisão. Não que considere que com esta idade somos velhos ou que já é tarde para ter filhos, pelo contrário. O que me assusta é a idade futura. Quando penso que se tiver um filho aos 30anos, terei 50 anos quando ele tiver 20anos, sinto-me um pouco assustada, especialmente ao ritmo a que o mundo evolui. Quando eu tinha 20 anos, os meus pais tinham 42 e 45 anos e para mim a diferença de mentalidades já era tão evidente. Com a minha irmã, que é 5 anos mais nova, isto ainda é mais flagrante. Mais do que a questão da mentalidade, é evidente que com o passar dos anos os pais vão se sentindo cada vez mais cansados, envolvem-se cada vez menos e estão menos disponiveis ou pacientes para uma série de atividades que envolvem os filhos. Quando constato que terei pelo menos 30 anos de diferença em relação a um primeiro filho fico um pouco assustada e, se a isso juntar que pelo menos até aos 55 anos terei de ser muito ativa profissional e financeiramente para os sustentar, ainda mais. 

 

Pensar em filhos coloca também outras questões: "será o momento?", "estaremos preparados?", "teremos as condições necessárias?". No nosso caso, somos ambos muito responsáveis, pelo que nunca pensamos que estamos realmente preparados e conseguimos antecipar todas as dificuldades e problemas que podem surgir.. "e se ficamos desempregados?", "e se nasce com algum problema?", "como é que vamos fazer face a todas as despesas?", "ainda não temos a nossa própria casa",.. especialmente no meu caso, penso ainda "e profissionalmente, o que me fará? será que vou estagnar? será que vou deixar de ter oportunidades? será que me vão avaliar de modo diferente?".. isto porque acredito que a sociedade é cruel para com a mãe (mas isto é assunto para outro post). Penso que não é possivel ter filhos sem que haja consequências (positivas e negativas) e como é óbvio nunca estaremos verdadeiramente preparados, até porque não sabemos o que nos irá calhar na rifa. Só saberemos quando estivermos por dentro do assunto, a viver a maternidade/paternidade e a enfrentar todos os desafios que um bebé e uma criança nos coloca diariamente à medida que cresce. 

 

Acredito que não haverá amor maior do que aquele que se sente por um filho e sei que quero ser mãe, não sei que tipo de mãe serei, mas quero muito viver esta experiência, contribuir para o desenvolvimento de uma criança... vê-la sorrir, dar os primeiros passos, fazer amigos, chorar quando lhe batem, dizer as primeiras palavreas, ouvir dizer que nos ama e que somos os melhores pais do mundo (coisa que dura até os 6 ou 7 anos, depois percebem que os pais dos amigos são melhores), vê-las a ter de enfrentar desafios na escola, com os amigos, com namorados e poder apoiá-las em todo este processo.. deve ser fantástico, apesar da angústia, do coração apertado e das lágrimas pelo sofrimento dos filhos... mas como tudo isto deve ser único e é uma benção, nós decidimos que o momento tinha chegado e começamos os treinos. 

 

Hoje estamos a poucos dias de conhecer o nosso primeiro baby, que foi muito desejado e será certamente muito amado. Até ao momento nunca colocamos em causa esta decisão, nem o momento, e a ideia de ter uma familia a três é mágica. Já não concebemos a nossa familia sem este elemento e o que sentimos por ele já é especial.