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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

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A vida aos 30 anos

2013 é à partida mais um ano no calendário, o 13 nem sequer é um número que eu aprecie muito. No entanto, 2013 já estava destinado a ser um ano importante na minha vida. Talvez porque coincide com o meu 30º aniversário. Se é verdade que todos os anos celebramos aniversários, a verdade é que a importância atribuida a cada data é diferente e fazer ou ter 30 anos é um marco. E porquê?

 

Penso que aos 20 anos existe uma grande expetativa para o futuro. Com 20 anos somos jovens adultos (alguns ainda um pouco adolescentes), encaramos o futuro com muito otimismo e expetativas de sucesso. Aos 20 anos fazemos planos sobre quem queremos ser, o que queremos fazer, que tipo de vida vamos viver, os locais que vamos visitar, com que idade vamos casar, que casa vamos ter, que dinheiro vamos ganhar,.. e, os possiveis obstáculos ou dificuldades que antecipamos são encarados de forma trivial, alimentados por pensamentos, como: "isso resolve-se", sem que se esteja realmente consciente do que podem implicar e do que será necessário para os ultrapassar.  

 

E os 30? Aos 30 anos a vida não acabou, pelo contrário, estará mais ou menos a meio para a maioria das pessoas. Na realidade, correspondem a cerca de 15 anos de escolhas e vivências pessoais que conduzem ao lugar em que nos encontramos aos 30 anos. Até aos 15 anos, a maioria dos miúdos tem um percurso semelhante e as principais decisões das suas vidas são tomadas pelos pais. É verdade que com essa idade também há miúdos prodigios, mas a maioria conhece pouco mais que a escola. Mas se até aqui podemos "culpar" os pais que vida que vivemos ou não vivemos, a partir dessa idade, e em algumas áreas da nossa vida, começamos a ter poder de escolha.. podemos escolher estudar ou ser preguiçosos;  podemos escolher ser ambiciosos e lutar pelo que queremos ou ser mandriões, esperando que as coisas aconteçam naturalmente; podemos escolher relacionarmo-nos com A ou B; podemos escolher namorar com uma boa ou má influência; podemos escolher dedicar tempo a algum hobbie útil ou enriquecedor ou simplesmente passar o tempo a ver TV ou jogar playstation; podemos escolher ter um emprego de verão ou passar o tempo a mandriar,... as escolhas que fazemos são muitas e acontecem a todo o momento. Infelizmente, na maioria das vezes, não nos apercebemos das escolhas que fazemos, nem do impacto que têm na nossa vida. Penso que as nossas escolhas, mais do que influenciar a vida que vivemos, influenciam quem somos e a imagem que temos de nós próprios, acabando por influenciar o modo como vamos escolher viver o resto da nossa vida. 

 

Se por um lado isto pode parecer um pouco fatalista, a verdade é que os 30 anos nos trazem a perspetiva de pelo menos mais 30 anos de escolhas e decisões pessoais, ou seja, de oportunidades para direcionar e modificar a vida que temos e quem somos. Mas será que é assim que as pessoas encaram os 30 anos? Sinceramente, não acredito. Penso que muitas pessoas avaliam os 30 anos como se tivessem 50 anos, considerando que o que ainda não está conquistado ou em vias de o ser conseguido, já não será alcançado. Penso que para isto contribui o facto de a geração dos nossos pais, aos 30 anos, já ter vivido muito mais do que nós com a mesma idade. Os nossos pais aos 30 anos (uma grande percentagem) já tinha familia constituida, já tinha construido a sua casinha (que pagaram durante mais 20 anos), já tinham o emprego que seria o emprego para a vida, já tinham os valores de vida e os principios sobre os quais queriam viver bastante definidos e mantiveram-se neste registo até os filhos estarem criados (a grande ambição dos pais) e alcançarem a idade da reforma (cada vez mais tardia). No entanto, a realidade que vivemos é outra. Estudamos muito mais do que os nossos pais e até idade tardia; fomos muito protegidos por eles e por isso poucos de nós tiveram a experiência de trabalhar como empregadas domésticas aos 12 anos, ou de trabalhar nas obras em França ou Angola; ouvimos repetidamente "estuda! Se não estudares, não vais dar nada na vida!!"; fomos muito mais estimulados a pedir do que a lutar, fosse para ter a bicicleta, as sapatilhas de marca ou dinheiro para sair à noite; fomos influenciados pela vida fácil de personagens de séries como Beverly Hills, em que os jovens faziam tudo o que queriam sem grande esforço; acreditamos que poderiamos viajar e conhecer o mundo aos 20 anos; fomos estimulados ao consumo fútil e excessivo;.. entre muitas outras coisas. Tudo isto é uma realidade muito diferente da que os nossos pais viveram, somos por isso uma geração com ideais diferentes e naturalmente com vivências divergentes, pelo que os nossos 30 anos não são os 30 anos deles. Por tudo isto, temos de aprender a avaliar os nossos 30 anos de acordo com a nossa realidade.  

 

E os meus 30 anos? A avaliação que faço dos meus 30 varia com o meu humor. Por vezes parecem-me fantásticos, noutros momentos parece-me que andei meia dúzia de anos a dormir. Para mim é muito dificil dissociar a avaliação que faço da minha vida da minha noção de felicidade e por isso torna-se ainda mais dificil chegar a alguma conclusão. Porém, estou totalmente consciente de que a felicidade é mais um estado do que um traço, sendo algo que vivemos apenas em alguns momentos. A minha forma de avaliar os 30 anos passa por atender às principais áreas da minha vida. Sendo assim, a nivel familiar sinto-me muito feliz. Aos 30 anos tenho pais e irmã de ótima saúde. Sinto-me uma felizarda por com esta idade não ter ainda vivenciado uma doença trágica na familia ou a morte de alguém muito próximo. A nível afetivo, tenho uma relação estável e sólida com um homem fantástico... um casamento aos 26 anos que me faz sentir que devia ter casado mais cedo, tal a felicidade que sinto com esta relação. A nível profissional tive a sorte de conseguir desde o final da licenciatura trabalhar na minha área de formação, tenho evoluido nas minhas competências e conhecimentos, o que me faz sentir cada vez melhor profissional e me estimula a querer arriscar em novos desafios. O único senão é um vinculo de trabalho precário, um ordenado incerto e por isso muitas vezes uma percepção profissional de menor reconhecimento e valorização, uma realidade muito carateristica dos tempos modernos. A nível académico, embora já trabalhe, gosto de estudar e pretendo continuar a fazê-lo, este estímulo é fundamental para que eu sinta que continuo a evoluir. Em termos de saude não tenho nada a relatar, porque felizmente o pior que já tive foi GripeA. Quanto aos amigos, aos 30 percebo que já não é fácil fazer novas amizades, mas é possivel fortalecer laços e perceber quem são realmente os amigos. Penso que apesar de ter apenas uma meia dúzia de amigos, os que tenho são pessoas que gostam de mim e me querem bem. Acho que com tudo isto só posso fazer uma avaliação muito positiva dos meus 30 anos.

 

Acima de tudo percebo cada vez mais que tenho de lutar por concretizar o que pretendo para a minha vida. Apesar das dificuldades que por vezes surgem, acredito que com mais ou menos esforço posso concretizar muitos objetivos nas diferentes áreas da minha vida. E ainda há muitas coisas que eu pretendo, por exemplo: alargar a minha familia nuclear; progredir profissionalmente, na área atual ou noutra que também me interesse muito; contribuir financeiramente de modo mais significativo para a minha familia; conhecer outras realidades e culturas; aproveitar melhor o tempo, a disponibilidade e carinho dos meus pais e sogros proporcionando-lhes mais momentos connosco e com os futuros netos; tirar mais fotografias; stressar menos com o que é pouco relevante; passar menos tempo a pensar "devo, não devo??", "posso, não posso??"; ser mais espontânea (como já fui na adolescência) e tentar ser sempre mais feliz, sendo menos crítica comigo própria.. e acredito que este último aspeto é fundamental para eu alcançar a serenidade e a tranquilidade que preciso para um dia ser uma boa mãe e continuar a ser a profissional e esposa que sou, mas essencialmente a viver bem comigo, isto é, a gostar de mim todos os dias.