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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

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20 meses de vida

O meu baby já tem 20 meses. Recordo-me perfeitamente de ainda há pouco tempo estar a discutir com o meu marido se seria o momento adequado para engravidar, se estávamos preparados para ser pais, se teríamos as condições apropriadas,.. e assim de repente o meu baby já fez 20 meses de vida. Faz parte da nossa vida há quase dois anos e têm sido meses tão preenchidos e tão diferentes da vida que eu conhecia anteriormente. Recordo-me de ter medo do parto e de durante a gravidez recear a possibilidade de algo não estar bem no desenvolvimento do feto, mas nunca receei o lidar com um bebé, o gerir as birras, mudar as fraldas, tratar da comida, da roupa ou dos choros. Acho que estava bem preparada para essa parte e sabia que um bebé não é um boneco bonito e fofo, sem vida própria. Ao contrário de muitas mulheres que conheço, que sofrem muito com o primeiro ano de vida, eu não sento isso, por estar consciente das dificuldades, mas também porque tive um bebé fácil. Acredito que existe uma interação entre estas fatores, já que a dificuldade em lidar com os bebés mais irritáveis gera também maior ansiedade nas mães, que se reflete no comportamento dos filhos. No meu caso, o único aspeto que correu menos bem foram as noites e o sono. O D sempre evitou dormir, lutava contra o sono e até ao primeiro ano acordava muitas vezes de noite e pedia mama. Hoje em dia, apesar de dormir quase sempre até às 6h da manhã, não gosta de hora de ir dormir. É óbvio que isto me custa um pouco, porque as minhas noites são curtas e isso reflete-se na atividade e no humor diário. No entanto, tenho de salientar que estes primeiros 20 meses de vida têm sido maravilhosos. O meu D é fantástico. 

Sempre me tinham dito que cada fase é melhor que a anterior. Eu acho que cada fase é diferente e todas elas são super interessantes e enriquecedoras. Neste momento já não consigo olhar para o D como um bebé. Por muito que me custe, ele já tem aspeto de criança e já se comporta como tal. Apesar de só ter um ano e meio é grande e robusto e parece ser mais velho. As pessoas frequentemente lhe dão bem mais do que 2 anos. As suas ações também indiciam uma idade superior. É muito falador, repete tudo o que ouve e é muito curioso e prestável. Quando vai comigo ao supermercado quer empurrar o carrinho ou carregar o cesto das compras, em casa limpa o pó e sacode os tapetes, se cai água ao chão pede o pano para limpar, quer ter sempre as mãos lavadas e a cara limpa, pede para colocar o creme depois de tomar banho, tira o calçado, a roupa e a fralda quando lhe dizemos que tem de ir para o banho, avisa que tem cocó na fralda e pede papa quando tem fome. Neste momento anda e corre pela casa com imensa naturalidade e até já tenta saltar. Raramente cai e nunca se magoou, o que é uma bênção. Melhor que isso é o facto de até ao momento só ter tido uma virose e ter ficado duas vezes constipado. Não sei ainda o que é fazer-lhe análises, ficar com ele internado ou recear alguma cirurgia. Mas, ao vê-lo criança, começo a fixar-me em receios dos quais já estava consciente antes, mas que agora se tornam maiores. Ele está a crescer, procura interagir com outras crianças quando está nos parques e eu tenho medo da parte social. Dou por mim a imaginar que ele pode ser rejeitado, que podem não gostar dele, que lhe podem bater ou insultar e dói-me tanto. Custa-me tanto imaginar que o meu filho pode sofrer. Eu sei que estas dores são maiores do que as físicas e marcam a nossa vida. E quanto mais eu o vejo a crescer mais receosa fico por perceber que a par da sua autonomia e independência vai surgir a escolinha e ele vai estar longe daqueles que tanto o amam e o tratam tão bem. Vai ter de se desenrascar e viver tantas situações difíceis. Quero tanto que ele tenha a sorte de calhar numa boa turma, de ter bons professores, de ser querido pelos amigos, de integrar um grupo. Receio tanto que ele sofra e que eu não o possa ajudar, que o sofrimento dele não possa ser vivido por mim. Não me resta mais nada a não ser esperar para ver o que vai acontecer e dar-lhe todo o amor que consigo para que ele saiba que os pais o amam incondicionalmente e que pode recorrer aos mesmos em qualquer circunstância. 

Esta semana cortou o cabelo pela primeira vez e andou de avião pela segunda vez. Em ambas as situações comportou-se bem. É um menino muito fácil. Adora novidades e adapta-se super bem às mudanças (muito melhor que eu). Fala imenso, diz palavras que sabem que provocam a galhofa e adora brincar com os pais, tios e avós. Cada vez mais começa a conseguir brincar um pouco mais sozinho, mas é muito mais feliz com a família toda junto dele. É meiguinho, dá mimos, abraços e beijinhos. E claro, adora a mãe. E eu, sou completamente apaixonada pelo meu filho.