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Trivial e Singular

Um blog simples e único sobre as trivialidades e singularidades da (minha) vida

Trivial e Singular

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Baby Boy

E nasceu o meu baby boy..

 

Em meados de Dezembro, um pouco mais tarde do que o previsto, dei à luz o meu primeiro filho, o D. 

Era um momento que eu esperava com alguma ansiedade e acima de tudo curiosidade. Queria conhecer o meu rebento, as suas feições, olhá-lo, tocá-lo, senti-lo e cheirá-lo. Queria acima de tudo saber se ele estava bem, se era um bebé saudável, perfeito, se teria tudo no sítio, se os seus órgãos funcionariam bem, se precisaria de algum apoio especial,.. queria acima de tudo conhecer o meu filho e tê-lo nos braços.  

 

Não sei dizer o que pensei ou o que senti no primeiro instante em que o vi, não sei mesmo. O nascimento é um momento de muita intensidade, de muitas emoções. Sinto que estive um pouco em piloto automático a cumprir as instruções das enfermeiras para que o meu bebé pudesse nascer saudavelmente e o mais rápido possível. Confesso que quando o vi pela primeira vez me senti surpresa, como se aquele momento não fosse verdadeiro, como se aquela não fosse a minha realidade. Quando o colocaram no meu colo não acreditava que aquela criança, aquele bebé indefeso, assustado, a chorar perdido numa nova realidade era o meu filho, não queria acreditar. Era o momento que eu tanto desejei e ansiei, mas não estava a acreditar que estava mesmo a acontecer. 

 

Depois de tratarem dele, o meu marido pegou nele ao colo e assim esteve durante cerca de uma hora. Eu olhava para eles e via o meu marido com o olhar preso àquela figura minúscula e inocente. Conseguia perceber pela sua expressão que estava apaixonado, assoberbado, maravilhado com aquele novo ser que agora fazia parte da nossa vida. Todo ele sorria, o olhar, os lábios, o corpo,.. o pai estava encantado. 

 

O meu encantamento não foi imediato, foi algo que foi crescendo e adquirindo forma. Penso que foi fruto de toda a emoção do parto, do medo que senti, da dor e de não estar a conseguir assimilar tudo o que estava a viver. A minha vida mudou naquele momento, já não eramos só dois, mas três, já não era totalmente independente, tinha alguém à minha responsabilidade que depende de mim para tudo,.. e tudo isto foi muito intenso e demorou a ser processado e assimilado. No entanto, é interessante perceber que desde o primeiro momento fomos capazes de cuidar de um recém-nascido sem grandes dificuldades ou complicações. Nunca ninguém nos tinha ensinado, mas fomos capazes de ser responsáveis por aquele ser minúsculo e corresponder às suas necessidades. 

 

Quando finalmente tive oportunidade para o contemplar,.. afastada da dor do parto, dos receios sobre como ele poderia nascer, das dores do pós-parto, ausente da confusão proporcionada pelas visitas, pelos comentários e conselhos de quem tanto quer ajudar… quando pude contemplar com atenção aquele pequeno ser, que me faz lembrar um coelhinho acabado de nascer, pude aperceber-me do quanto estava já apaixonada, de como o achava bonito, de como desejava que ele estivesse bem, de como queria que as suas dores fossem vividas por mim, de como desejava que aquele momento congelasse e ficássemos para sempre assim os dois. 

 

Hoje, estou rendida a esta pequena criatura, a este ser que foi gerado dentro de mim. Estou completamente enamorada e deslumbrada. Nada existe de mais belo e tranquilo do que ficar a contemplar as suas expressões enquanto dorme de forma frágil e vulnerável. Nada é mais recompensador do que vê-lo esboçar um sorriso.